Patrimônio Cultural
Iphan aprova tombamento federal do Teatro Municipal de Ouro Preto
A antiga Casa de Ópera de Vila Rica, considerada o teatro em funcionamento contínuo mais antigo da América Latina, passa a contar com proteção individual em âmbito federal.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, aprovou o tombamento federal da antiga Casa de Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto, em Minas Gerais.
A decisão reconhece a relevância histórica, artística, arquitetônica e simbólica do edifício, um dos monumentos culturais mais importantes do Brasil. Com a aprovação, o bem será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.
O tombamento individual abrange a edificação, o terreno e os bens integrados ao imóvel, reforçando a proteção do teatro e de seu entorno. A medida amplia a preservação de um espaço que já integra o conjunto histórico de Ouro Preto, reconhecido pelo Iphan desde 1938.
Um dos teatros mais antigos em atividade na América Latina
Inaugurado em 7 de junho de 1770, durante o período colonial, o Teatro Municipal de Ouro Preto é considerado o teatro em funcionamento contínuo mais antigo da América Latina. Ao longo dos séculos, o espaço recebeu óperas, peças teatrais, apresentações musicais e eventos culturais que marcaram a vida artística da antiga Vila Rica.
Além de sua importância para a história das artes cênicas no Brasil, o teatro também é lembrado como um espaço de sociabilidade da sociedade colonial mineira. Sua trajetória envolve artistas, mestres de ofício, trabalhadores negros, pardos, mulheres e diferentes personagens que ajudaram a formar a cena cultural de Ouro Preto.
Valor arquitetônico e artístico
A construção preserva características raras da arquitetura teatral luso-brasileira do período colonial. Entre os elementos destacados estão o palco italiano, galerias, balcões, camarotes e a organização interna em formato de lira, considerada incomum entre os teatros coloniais ainda existentes.
O edifício também guarda elementos artísticos de grande relevância patrimonial, como o chamado camarote do governador e uma pintura alegórica localizada sobre a boca de cena. Mesmo após reformas realizadas nos séculos XIX e XX, o teatro manteve sua configuração essencial.
Reconhecimento histórico para Ouro Preto
O processo de tombamento do teatro teve início em 1963 e aguardava uma decisão definitiva há décadas. A aprovação pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural representa uma reparação histórica e fortalece a proteção de um dos espaços culturais mais simbólicos de Minas Gerais.
Para Ouro Preto, o reconhecimento reforça a importância da cidade como referência nacional em patrimônio, memória, cultura e preservação histórica.
Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan.
