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05/07/2008 00:10

COLÔMBIA - Golpe nas Farc

   Isaac Bigio*

Em três meses, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) sofreram seus piores golpes. Quando o presidente colombiano Álvaro Uribe deu início a esta derrocada, ao matar o chanceler das Farc no Equador (Raúl Reyes), Quito e Caracas mobilizaram tropas para enfrentá-lo. Mas hoje, com o resgate de Ingrid Betancourt, todos os governantes de esquerda latino-americanos, e até Fidel Castro, o aplaudem.

A diferença entre um e outro fato está em que, inicialmente, a Colômbia incursionou no Equador, matando todo um acampamento guerrilheiro, e hoje os 15 reféns foram resgatados sem derramamento de sangue. No entanto, também está na nova correlação criada por Uribe desde tal incursão.

O assassinato de outro mais entre os sete secretários das Farc, a morte de Tirofijo e a ofensiva diplomática que quis mostrar Chávez e Correa como aliados das Farc obrigou a uma guinada na Venezuela. Chávez começou a condenar a “luta armada” e a pedir a liberação incondicional de todos os seqüestrados, e Uribe baixou o tom das denúncias baseadas no conteúdo dos arquivos dos laptops. Logo os dois presidentes voltaram a se reunir.

A forma tão incrível com a qual a guerrilha mais antiga do Ocidente foi infiltrada e enganada poderia mostrar que, dentro das Farc, há fissuras. Antes, na guerrilha de El Salvador, os “moderados” eliminaram os “duros”. Hoje, todos os governos “socialistas” da região vêm lutando para isolar os intransigentes dentro das Farc e fazer com que estas optem por uma inserção na legalidade, tipo América Central e Irlanda do Norte, pela via das urnas e não das armas.

(*)   Isaac Bigio é analista internacional e ex-professor da London School of Economics (LSE) Isaac Bigio é especializado em América Latina e assina uma coluna diária no jornal peruano Correo. Tradução: Angélica Resende/BR Press