Isaac Bigio*
Em três meses, as Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc) sofreram seus piores golpes. Quando
o presidente colombiano Álvaro Uribe deu início a
esta derrocada, ao matar o chanceler das Farc no
Equador (Raúl Reyes), Quito e Caracas mobilizaram
tropas para enfrentá-lo. Mas hoje, com o resgate de
Ingrid Betancourt, todos os governantes de esquerda
latino-americanos, e até Fidel Castro, o aplaudem.
A diferença entre um e outro fato está em que,
inicialmente, a Colômbia incursionou no Equador,
matando todo um acampamento guerrilheiro, e hoje os
15 reféns foram resgatados sem derramamento de
sangue. No entanto, também está na nova correlação
criada por Uribe desde tal incursão.
O assassinato de outro mais entre os sete
secretários das Farc, a morte de Tirofijo e a
ofensiva diplomática que quis mostrar Chávez e
Correa como aliados das Farc obrigou a uma guinada
na Venezuela. Chávez começou a condenar a “luta
armada” e a pedir a liberação incondicional de todos
os seqüestrados, e Uribe baixou o tom das denúncias
baseadas no conteúdo dos arquivos dos laptops. Logo
os dois presidentes voltaram a se reunir.
A forma tão incrível com a qual a guerrilha mais
antiga do Ocidente foi infiltrada e enganada poderia
mostrar que, dentro das Farc, há fissuras. Antes, na
guerrilha de El Salvador, os “moderados” eliminaram
os “duros”. Hoje, todos os governos “socialistas” da
região vêm lutando para isolar os intransigentes
dentro das Farc e fazer com que estas optem por uma
inserção na legalidade, tipo América Central e
Irlanda do Norte, pela via das urnas e não das
armas.
(*)
Isaac Bigio é analista internacional e ex-professor
da London School of Economics (LSE) Isaac Bigio é
especializado em América Latina e assina uma coluna
diária no jornal peruano Correo. Tradução: Angélica
Resende/BR Press