02/03/2008
17:19
Violência como
problema de saúde é tema de debates em todo
o país
Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil
Incluir a prevenção da
violência como uma das prioridades no
Sistema Único de Saúde (SUS) é o objetivo de
gestores e profissionais de saúde de todo o
país, com base no fato de que muitos casos
de violência estão relacionados à saúde dos
indivíduos que a praticam.
Para o presidente do Conselho Nacional de
Secretários de Saúde (Conass), Osmar Terra,
a violência é responsável por uma epidemia
silenciosa, já que não é possível medir a
dimensão dos problemas que causa.
"É importante que a saúde pública se envolva
no processo de prevenção da violência.
Sabemos que a maior parte dos crimes e dos
homicídios são cometidos por pessoas que
estão com estado mental alterado, que estão
alcoolizadas ou drogadas e que poderiam não
ter cometido esses crimes se tivessem tido
algum atendimento preventivo ou alguma forma
de atenção especializada", declara.
Dados nacionais revelam que, todos os dias,
a violência causa a morte de pelo menos 250
pessoas. Além disso, quem sobrevive às
tentativas de homicídio ou acidentes de
trânsito, por exemplo, precisa receber
medicamentos e também atendimento médico e
hospitalar. Segundo o governo federal, os
gastos da saúde com as vítimas da violência
chegam a R$ 4 milhões.
Em Manaus, o assunto foi tema do seminário
regional "Violência: uma epidemia
Silenciosa". Reunindo representantes do
poder público, médicos, psicólogos,
educadores, entre outros participantes do
Norte do país interessados em participar
desse debate e em emplacar as iniciativas de
combate à violência mediante a qualidade da
saúde do povo brasileiro.
O seminário é uma realização do Conselho
Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e
do Governo do Amazonas e um dos cinco
encontros regionais que estão sendo
realizados como preparação para o seminário
nacional que acontecerá nos dias 27 e 28 de
março em Porto Alegre.
Para o presidente do Conass é possível
estabelecer metas para reverter os números
negativos. Ele disse que o Ministério da
Saúde está esperando que esses seminários
ofereçam uma pauta nacional que será
financiada com apoio do governo federal para
políticas nacionais de prevenção da
violência.
“Acredito que possamos impactar e ajudar a
reduzir e muito a violência. Todos os
lugares do mundo onde houve reversão dos
altos índices de violência, como na cidade
de Nova York, contaram com programas de
atendimentos na área de saúde mental e de
assistência social".
De cada uma das cidades onde o evento se
realiza, sairão propostas para inserção na
agenda do SUS. O encontro de Manaus
contribuirá com relatos de experiências de
sucesso no Amazonas, Acre, Pará, Rondônia,
Tocantins e Amapá, que possam ser úteis na
formulação de uma política nacional.
Segundo o Ministério da Saúde, a violência
no Brasil atinge principalmente adultos
entre 20 e 39 anos, onde 92% são homens. Na
mesma faixa etária, existem 47,9 mortes a
cada 100 mil habitantes no Brasil, enquanto
que a taxa global é de 25,8 mortes por 100
mil habitantes. O Amazonas é o estado
brasileiro que destina maior parte de seu
orçamento à saúde: 23% anuais. Em segundo
lugar está o Distrito Federal, com 15%.