06/02/2008 22:43
Para ativista,
campanha da CNBB não considera aspectos
importantes sobre a defesa da vida
Flávia
Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
Na
avaliação da secretária-executiva da Jornada
pelo Aborto Seguro e integrante da
organização não-governamental (ONG)
Católicas pelo Direito de Decidir, Dulce
Xavier, a
Campanha da Fraternidade 2008, lançada
hoje (6) pela Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB), deixa de lado
questões e elementos importantes para a
manutenção da vida.
“A campanha da fraternidade sempre foi
importante para integrar as pessoas da
igreja com as causas sociais, mas não
considera o uso do preservativo diante de
uma epidemia de aids. Como é que se fala em
defesa da vida e a igreja continua sendo
contrária ao uso do preservativo, quando ele
pode salvar vidas?”, questionou a ativista.
A Igreja Católica escolheu “Fraternidade e
defesa da vida” como tema da campanha deste
ano. O lema é “Escolhe, pois, a vida”.
A integrante da ONG Católicas pelo Direito
de Decidir citou ainda a posição contrária a
pesquisas científicas com células-tronco e à
descriminalização do aborto. “As pesquisas
com células-tronco podem salvar vidas ou
melhorar perspectivas de vida de pessoas com
problemas sérios de saúde. E a prática
clandestina do aborto acaba levando muitas
mulheres a morte”, afirmou.
De acordo com Dulce, mesmo lançando um
movimento pela vida, a Igreja Católica não
abre mão de proibir e colocar obstáculos
para a solução de questões importantes e que
também defendem a vida. “Não basta ter a
vida biológica, é preciso que as pessoas
tenham liberdade de se relacionar, de
pensar, manifestar outras religiões e não
serem discriminadas por isso.”
Para ela, mesmo que demore, a Igreja
Católica será obrigada a mudar sua posição.
“Acreditamos que os setores conservadores da
Igreja Católica estão se manifestando de
forma radical e fundamentalista, porque não
aceitam se abrir para o diálogo e aceitar
outros pensamentos. Mas, na prática, os
próprios católicos estão vivenciando uma
coisa diferente do que a hierarquia manda.”
Segundo ela, pesquisas realizadas entre os
próprios católicos mostram que 97% deles são
favoráveis ao uso dos preservativos, e 80%
são a favor do planejamento familiar e do
atendimento legal do aborto.
“Ou seja, a hierarquia fala pra quem? Essa
postura radical e fundamental que não admite
mudança não tem base nem sustentação na
própria base. É importante ressaltar que há
outras vozes dentro da Igreja Católica além
desse setor radical e fundamentalista”,
finalizou Dulce.
A ONG Católicas pelo Direito de Decidir atua
desde 1993. O objetivo da instituição é
mostrar que, dentro da Igreja Católica,
existem pessoas que discordam da postura
adotada com relação a temas ligados à
sexualidade e à reprodução.