05/02/2008 00:43
ONGs reclamam de
dificuldades para realizar ações de
prevenção de DST e aids no carnaval
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Líderes de organizações da
sociedade civil do Rio de Janeiro e da Bahia
ligadas à prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis reclamam de problemas
encontrados para desenvolver ações no
carnaval deste ano.
Para Denis Gomes, membro
do Conselho Consultivo do Fórum Baiano de
ONGs/Aids, o número de preservativos
repassado pelo Ministério da Saúde para o
estado, cerca de 936 mil, foi insuficiente.
Segundo ele, a maior
parte do material foi encaminhada à
Secretaria Estadual de Saúde para
distribuição aos municípios do estado e
apenas cerca de 5 mil camisinhas foram
destinadas às organizações
não-governamentais, o que limitou o trabalho
das entidades, permitindo entregar apenas um
preservativo por pessoa nas ações de
prevenção durante o carnaval de Salvador.
“Neste carnaval a
quantidade de preservativos que o Ministério
da Saúde mandou para a gente, para os sete
dias de folia, foi muito pouca. Quando a
pessoa nos procura temos que distribuir só
um preservativo, e ideal seria dar pelo
menos dois, porque, no momento do ato
sexual, pode romper a camisinha”, disse
Gomes.
Ele informou que as ONGs,
em parceria com a prefeitura de Salvador e o
governo da Bahia, estão realizando várias
ações na capital, com distribuição de
preservativos, bandanas e folhetos
informativos nas estações de transbordo,
como as da Lapa, Barroquinha e Campo Grande,
e em postos instalados em locais de grande
concentração de foliões, como o Pelourinho,
Campo Grande e Barra.
No Rio de Janeiro, o
coordenador do Fórum de ONGs/Aids do estado,
Roberto Pereira, criticou a demora no envio
do material informativo e dos preservativos
fornecidos pelo Ministério da Saúde, que,
aliada à burocracia no processo de repasse
entre as várias esferas de governo, acabou
dificultando sua retirada pelas organizações
não-governementais.
“As instituições mais
afastadas do centro, de fora da capital, têm
dificuldade de acesso ao material produzido
para a campanha do carnaval. Entre o
material chegar ao município, ser
redistribuído para as unidades que vão fazer
a dispensação para as ONGs, há uma grande
diferença. Essa distribuição
descentralizada, por um lado, favorece,
porque o material chega mais perto das
organizações; por outro, existe uma demora e
acaba ficando muito em cima da hora. O ideal
é que tivéssemos um planejamento estratégico
para que isso não acontecesse.”
Segundo Pereira, até a
última quarta-feira (30), dois dias antes do
início do carnaval, 10% das ONGs que
participam do fórum ainda tinham
dificuldades para retirar o material para
ação de prevenção enviado pelo Ministério da
Saúde.
De acordo com o
Ministério da Saúde, a quantidade de
preservativos enviada à Bahia foi a
solicitada no plano de necessidades
elaborado pelo governo do estado, com a
participação inclusive das ONGs. A
assessoria de imprensa do Ministério da
Saúde também informou que tanto os
preservativos quanto o material de
divulgação chegaram aos estados antes do
carnaval, com a antecedência observada todos
os anos. Ressaltou, entretanto, que o
ministério não pode responder pela logística
de distribuição nas unidades da federação.