04/02/2008
03:40
Bloco Ilê Aiyê
trabalha há 34 anos pela inclusão social
Hugo Costa
Enviado especial/Agencia Brasil
Salvador
- Mais do que um instrumento da expressão
cultural afro-brasileira, o bloco Ilê Aiyê
se transformou em símbolo de luta e de
inclusão social da população negra na
capital baiana.
Em 34 anos de história, os trabalhos
voltados para a comunidade são considerados
pelo grupo até mais importantes do que o
próprio carnaval.
Integrante do bloco que
ganhou status de associação cultural,
o mestre de banda Mário Pam acompanha a
evolução do Ilê Aiyê há 16 anos.
Sem esconder o orgulho, o músico enumerou,
em entrevista à Agência Brasil,
vários dos trabalhos desenvolvidos pela
instituição, que tem sede na ladeira da Rua
do Curuzu, no bairro da Liberdade.
“O carro-chefe do Ile Ayiê atualmente são os
projetos sociais. Como exemplo, temos a
Escola Mãe Hilda, que existe há mais de 15
anos e oferece aulas da alfabetização, até a
quarta série, inteiramente de graça. Além
disso, oferecemos aulas de dança, canto,
percussão, cidadania, expressão corporal e
sexualidade. Temos ainda diversos cursos
profissionalizantes para possibilitar a
inserção no mercado de trabalho da
comunidade na periferia.”
Mário Pam disse que o período do carnaval
serve sobretudo para viabilizar
financeiramente o Ilê. Nessa época, além dos
recursos governamentais obtidos, são
comercializadas camisetas, fantasias e
acessórios com a marca do grupo. “O carnaval
e os projetos culturais do Ile Aiyê se
tornaram instrumentos para viabilizar os
projetos sociais. O carnaval concentra a
arrecadação dos recursos, que são absorvidos
e destinados diretamente para os projetos
sociais.”
O Ilê Aiyê ganhou fama por ser pioneiro
entre os blocos-afro de Salvador. Entre
colaboradores e profissionais contratados,
cerca de 100 pessoas trabalham na
instituição. Neste ano, o bloco vai às ruas
de Salvador até terça-feira (5).