02/02/2008 19:35
Personagem mais
tradicional do carnaval de Olinda fez hoje
76 anos
Mariana
Jungmann
Repórter da Agência Brasil
Olinda (PE) - Um dos
personagens mais antigos do carnaval da
cidade, o Homem da Meia-Noite, completou
hoje 76 anos.
Mais que um boneco gigante, como os vários
que se vêem nas ruas de Olinda no carnaval,
o Homem da Meia-Noite, que já recebeu o
título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, é
um ponto de cultura.
Segurando mais de 50 quilos na cabeça e nos
braços, o carregador do boneco suporta um
calor que gira em torno de 50 graus dentro
da roupa. Por isso, o carregador oficial
recebe apoio de mais duas pessoas durante a
festa.
Duas histórias explicam a origem do
personagem, em 1932. A primeira conta que um
dos criadores do boneco, Benedito Bernardino
da Silva, sempre via um senhor muito
elegante circulando nas ruas de Olinda e
ficou curioso sobre a origem dele. Um dia,
ao segui-lo, descobriu que se tratava de um
conquistador que, à noite, pulava a janela
das casas das donzelas.
Benedito resolveu, então, fazer o Kalunga
(criatura mística do candomblé) para sair na
noite de Sábado de Zé Pereira – como é
chamado o sábado de carnaval em Pernambuco.
“As roupas são verdes em homenagem a essa
história, já que o tal homem estava sempre
vestido com essa cor”, explica o presidente
do Clube de Alegorias e Críticas Homem da
Meia-Noite, Luiz Adolpho Alves e Silva. O
clube tem esse nome porque, além das
alegorias de carnaval, sempre faz críticas
políticas.
A outra versão sobre o surgimento do Kalunga
diz que o boneco foi criado por um grupo de
dissidentes do Cariri – bloco tradicional
que, na época, abria, às 5 da manhã, o
carnaval de Olinda. Conta a lenda que esse
grupo, ao assistir a um filme de ficção
chamado O Ladrão da Meia-Noite, teve
a idéia de criar um boneco que sairia pela
cidade abrindo o carnaval antes do Cariri.
Por isso, o Homem da Meia-Noite sai
pontualmente e comanda o carnaval até as 4
da manhã, quando passa a chave da cidade
para que o Cariri siga com a festa.
Com o tempo, o povo da cidade, de tradição
católica, sentiu necessidade de arrumar uma
mulher para o boneco. Foi aí que se criou a
Mulher do Meio-Dia, que entra na festa às 12
e vai embora às 16 horas.
Na década de 1970, Silvio Botelho, o artista
plástico que tornou os bonecos conhecidos,
foi convidado a fazer o filho dos dois – o
Menino da Tarde, que faz a ponte entre a
saída da mãe e a entrada do pai. Desde
então, os bonecos viraram febre no carnaval
de Olinda.
De acordo com Botelho, é comum andar pelas
ruas de Olinda e ver personagens do
cotidiano com três metros de altura. "Agora
todo mundo quer ser celebridade, todos dizem
‘eu também quero ter um boneco’. Eu digo, vá
pra fila, sente no banco de espera.”

Atualmente feitos de fibra de vidro, resina
e massa acrílica, para ficarem mais leves,
os bonecos geralmente representam figuras
históricas, políticas ou folclóricas.