Estado assina acordo
para ampliar o combate à pobreza
BELO HORIZONTE
(26/05/08) - O governador de Minas Gerais, Aécio
Neves, e o ministro de Desenvolvimento Agrário,
Guilherme Cassel, assinaram, nesta segunda–feira
(26), no Palácio da Liberdade, acordo de cooperação
entre o Governo do Estado, ministério e municípios
mineiros para implantação do Programa Territórios da
Cidadania no Estado. Desenvolvido pelo governo
federal, o programa vai aplicar, ainda este ano, R$
768,4 milhões em um conjunto de ações e projetos
para atender 84 municípios das regiões Noroeste,
Norte, vales do Jequitinhonha e do Mucuri. Durante a
solenidade, Aécio Neves destacou a importância desta
parceria que vai contribuir para reduzir a pobreza e
melhorar a qualidade de vida da população dessas
regiões onde estão os menores Índices de
Desenvolvimento Humano do Estado (IDH).

“Estamos aqui, com esse ato, sintetizando ou
sinalizando para o futuro de que é esse tipo de ação
que a sociedade mineira espera de nós: parceria,
convergência, soma de esforços. Mais importante que
a paternidade de qualquer ação, seja municipal,
estadual ou federal, é o seu efeito, é o que essa
ação efetivamente significará para a vida dos
cidadãos mineiros. Tenho orgulho de poder olhar para
trás e perceber que nós avançamos de forma
consistente e muitas dessas ações ocorreram porque
houve parcerias com municípios, com movimentos
organizados da nossa sociedade, com o governo
federal, com organismos internacionais. Essas
regiões mais pobres são as que mais sofrem pela
falta de investimentos ou mesmo do planejamento do
que nós queremos para Minas Gerais”, afirmou o
governador em seu pronunciamento.
Eficiência dos gastos
Aécio Neves ressaltou a importância da parceria para
o acompanhamento da aplicação dos recursos. Pelo
acordo de cooperação, cabe ao Estado e municípios,
entre outras ações, aperfeiçoar a qualidade dos
gastos e das ações públicas. Segundo o governador,
Minas tem sido referência de eficiência na gestão de
recursos públicos com a implantação do Estado para
Resultados, aprofundamento do Choque de Gestão, que
equilibrou as finanças de Minas Gerais.
“Aqui no Brasil, ouso a dizer que Minas Gerais tem
dado uma contribuição extraordinária àquilo que
considero o debate mais essencial na nossa sociedade
contemporânea. Hoje, o grande desafio do nosso tempo
para o qual, é qualificar o gasto público. É gerir o
estado com eficiência. É permitir que o recurso
arrecadado dos nossos cidadãos seja gasto de forma a
atender ao interesse real e às prioridades reais da
nossa gente”, disse Aécio Neves.
Projetos sociais e de infra-estrutura
Lançado em fevereiro deste ano, o Territórios da
Cidadania é desenvolvido em parceria com os governos
federal, estaduais e municipais e atende regiões com
menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Em
todo o país, serão distribuídos R$ 11,3 bilhões este
ano em 60 territórios, em 87 tipos de projetos
sociais, de infra-estrutura (estradas, energia
elétrica), de saúde, saneamento básico, educação,
cultura, produtivos, fundiários e de gestão
rural,entre outros.
Os territórios foram selecionados pela concentração
de agricultores familiares, assentados da reforma
agrária, famílias de pescadores, quilombolas e
terras indígenas. Em Minas, os 84 municípios
discutiram os projetos e elencaram as prioridades.
Durante a solenidade, o prefeito de Mamonas (Norte
de Minas), Ailton Santana, destacou a importância da
parceria entre governo federal e Governo do Estado.
“Nós prefeitos que sofremos muito, reconhecemos a
importância dos investimentos realizados pelo
Governo de Minas e temos certeza que a o programa
beneficiará ainda mais as nossas regiões que sofrem
com os problemas da seca”, disse.
Minas Sem Fome
Durante a solenidade, Aécio Neves também assinou
contrato com o Ministério do Desenvolvimento Agrário
que prevê repasse de R$ 20 milhões a Minas para
fomentar projetos do Programa Minas Sem Fome,
executado pela Emater-MG. Do total dos recursos, R$
6 milhões são do Governo do Estado. Eles serão
destinados à diversificação econômica e agregação de
valor na agricultura familiar (MDA), além do combate
à fome e à miséria.
Entre os projetos estão implantação de lavouras e
pomares comunitários, aquisição e instalação de
tanques de resfriamento, sistemas de abastecimento
de água, unidades de criação de aves, fomentar
escritórios de assistência técnica, estruturar
centro de artesanato em barro, disponibilizar
patrulha mecanizada rural e implantar oficinas de
costura e bordado, centro de apoio ao agricultor
familiar e agroindústrias familiares.
Desde que foi criado em 2004, o Minas Sem Fome já
beneficiou mais de 500 mil famílias mineiras com R$
35 milhões (recursos estaduais e federais) para
criação de agroindústrias, capacitação de jovens e
implantação de hortas, pomares, lavouras e criação
de pequenos animais. Em 2008, serão investidos R$
9,5 milhões (recursos do Governo do Estado),
beneficiando 314 mil famílias.
Política fundiária estadual
A implantação do programa Territórios da Cidadania
reforça a política fundiária do Governo de Minas e
as ações voltadas para o desenvolvimento dos
municípios atingidos pela seca. Em 2007, foram
entregues pelo Estado 3.345 títulos de posse de
terra, beneficiando mais de 13.380 pessoas, em 261
municípios mineiros. Com o título, os posseiros
passam a ter reconhecimento legal para participar de
programas sociais dos governos estadual e federal.
Em 2008, serão beneficiadas pelo Governo de Minas
mais de 33 mil e 600 pessoas que vivem em áreas
rurais com investimento de R$ 5,6 milhões que
contempla 8.411 posseiros.
Em 2007, o programa de Segurança Alimentar e
Nutricional (PSA), do Governo de Minas, atendeu a
5.313 famílias, aproximadamente 21.252 pessoas, em
97 acampamentos e pré-assentamentos espalhados pelo
Estado. Minas tem 7.300 famílias acampadas e
pré-assentadas, aproximadamente 29.200 pessoas. A
perspectiva é que o PSA atenda a todas essas
famílias, dando seqüência ao trabalho desenvolvido
no ano de 2007 de dar cobertura total às famílias no
Estado.
Na semana passada, o Governo do Estado entregou 161
Títulos Urbanos que beneficiarão cerca de 650
pessoas no município de Elói Mendes (Sul de Minas).
É a primeira etapa da entrega total de mais de 1.000
títulos urbanos no município, que irão beneficiar
cerca de 5 mil pessoas. Em 2007, foram entregues
1.088 títulos urbanos, beneficiando 4.352 pessoas em
220 municípios.
Ações do Comitê Gestor da Crise da Seca
O Governo de Minas já investiu R$ 82,6 milhões para
viabilizar ações do Comitê Gestor da Crise da Seca,
criado para atender aos municípios atingidos pela
seca. São investimentos em infra-estrutura, obras de
recuperação de bacias hidrográficas, construção de
barragens, instalação de cisternas para
armazenamento de água de chuva, compra de
maquinário, distribuição de sementes, financiamento
para empresas e produtores rurais, incentivos
fiscais, dentre outras medidas que contemplarão os
municípios mineiros tradicionalmente afetados pela
estiagem.
Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento do
Norte de Minas e Vales do Jequitinhonha e Mucuri, o
comitê é formado também por representantes da
Secretaria de Ciência e Tecnologia, BDMG, Copasa,
Cemig, Ruralminas, Emater-MG, Instituto Mineiro de
Agropecuária (IMA), Coordenadoria Estadual de Defesa
Civil (Cedec) e Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema).
Por meio da Copasa, foram entregues 1.000 cisternas
em 33 municípios do Norte e Nordeste de Minas em
situação de emergência. A parceria Cedec/Copasa
também disponibiliza atendimento de caminhões-pipa
às localidades. Por meio da Ruralminas, foram
adquiridas quatro patrulhas mecanizadas ambientais
utilizadas na construção de barragens de contenção.
O BDMG disponibilizou R$ 40 milhões em linhas de
crédito com taxas de juros especiais a produtores,
além de médio e microempresários nas regiões do
Norte, Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A Cemig
adotou redução de taxas de energia para consumidores
que usam poços tubulares, uma das principais
reivindicações dos produtores rurais. Mais de 41
poços foram ligados na região.
Fomento à agricultura familiar
Por meio da Emater, o Governo de Minas distribuiu
200 toneladas de sementes de feijão e 100 toneladas
de sementes de sorgo para pequenos produtores rurais
de 188 municípios do Norte e Nordeste de Minas. O
sorgo é mais resistente à seca que o milho e pode
ser usado na alimentação humana, além de servir para
manter o gado.
Por meio do Minas Sem Fome, o Governo do Estado
também está levando água para pequenas propriedades
rurais do Norte e Nordeste de Minas. Além da compra
de equipamentos, estão sendo construídos sistemas
comunitários de abastecimento de água. Até o final
de 2008, serão instalados mais 115 sistemas de
abastecimento em outros municípios da região.
Por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de Minas Gerais (Fapemig), o Governo de Minas vai
investir R$ 1 milhão para a implantação do Centro de
Estudos para a Convivência com a Seca, em Montes
Claros. O objetivo é criar um pólo de inovação e de
referência para o desenvolvimento de estudos e
tecnologias para facilitar o enfrentamento e o
convívio com o clima semi-árido, a partir da
elaboração de um Plano Diretor de Planejamento
Estratégico. Por meio da Secretaria de Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável, o Governo de Minas
está disponibilizando R$ 10 milhões para
investimentos em projetos de recuperação de bacias
hidrográficas e construção de barragens de contenção
nas áreas atingidas pela seca.