Fundo Estadual de Cultura aprova 108 projetos para 2008
Criado com o objetivo de reforçar a política de
descentralização das ações públicas no setor cultural em
Minas, o Fundo Estadual de Cultura (FEC) aprovou, em sua
terceira edição (Edital/2008) 108 projetos. Foram
selecionados 89 projetos referentes a cidades do interior, o
que representa 82% do total, e 19 projetos de Belo
Horizonte, uma parcela de 28%. A relação dos projetos
aprovados encontra-se no site
www.cultura.mg.gov.br.
“O Fundo Estadual de Cultura está completando três editais,
cumprindo sua função de apoio efetivo às diretrizes de
interiorização, o que demonstra o esforço da Secretaria de
Estado de Cultura em criar políticas para a descentralização
dos bens e ações culturais. Este resultado desmitifica a
idéia de que a cultura é produzida e consumida apenas na
capital e reforça o potencial dos demais municípios
mineiros. Os produtores do interior estão mais ativos e
preparados, com projetos cada vez mais qualificados e que
elevam a identidade cultural de cada região”, disse a
secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, Eleonora
Santa Rosa, para quem a forma mais democrática e
transparente de se aportar recursos e financiar projetos é
por meio de editais.
O Edital/2008 recebeu 504 projetos, sendo 394 propostas do
interior e 110 da capital mineira. Este ano, o FEC
disponibiliza R$ 24,5 milhões (R$ 10 milhões a mais que em
2007), destinados ao financiamento das áreas
artístico-culturais que visam à criação, preservação e
divulgação dos bens e manifestações, com ênfase para
projetos ligados ao patrimônio material e imaterial e à rede
de infra-estrutura cultural.
Para a secretária, essa sólida participação dos municípios
do interior se deve, também, ao esforço em promover
treinamentos sobre o FEC e ao constante diálogo com os
gestores dos projetos aprovados nas edições anteriores, para
o aprimoramento e adequação dos próximos editais. “Foram
realizados treinamentos em diversas cidades, com
participação em massa dos gestores culturais. Além disso, a
Diretoria do Fundo iniciou um trabalho de visitas aos
projetos aprovados em 2006 e 2007, com o objetivo de
aproximar a proposta do FEC à realidade dos municípios,
abrindo espaço para sugestões, dúvidas e para a
identificação de dificuldades durante a elaboração do
projeto”, explicou Santa Rosa, lembrando ainda que, para os
interessados na modalidade ‘Financiamento Reembolsável’, o
período de inscrições continua aberto durante todo o ano,
entre os dias 1º e 10 de cada mês, até a publicação do
próximo edital, em 2009.
A diretora do Fundo Estadual de Cultura, Sílvia Tironi,
acompanhou de perto os treinamentos em alguns municípios e
lembra que os produtores demonstraram interesse e dedicação.
“Realizamos treinamentos em mais de 50 cidades, atingindo
cerca de mil pessoas. Percebemos que os gestores culurais
estão motivados e que os treinamentos os deixam mais
seguros. Eles se sentem aptos à elaboração do projeto.
Pretendemos, a cada edital, estender os treinamentos a um
número maior de cidades, seja por meio de cursos presenciais
ou vídeoconferência”, explicou Sílvia, que também alerta os
gestores culturais sobre como participar dos treinamentos.
Os municípios que desejam participar dos treinamentos do
Fundo Estadual de Cultura nos próximos anos precisam apenas
se inscrever no site da Secretaria de Estado de
Cultura (www.cultura.mg.gov.br),
através do link da Superintendência de Fomento e
Incentivo à Cultura.
Dos 108 projetos aprovados, cinco estão na categoria
‘Liberação de Recursos Não Reembolsáveis’, ou seja, a fundo
perdido, que este ano disponibiliza R$ 9 milhões, um
acréscimo de 63% em relação a 2007, quando o total foi de R$
5,5 milhões , e 103 na modalidade ‘Financiamento
Reembolsável’, disponibilizada na forma de empréstimo com
juros subsidiados, carência de até 24 meses e financiamento
máximo de 72 meses, por meio do Banco de Desenvolvimento de
Minas Gerais (BDMG), com recursos da ordem de R$ 15,5
milhões.
Das cinco áreas que contemplam o Edital do FEC, concentram o
maior número de projetos aprovados as áreas ‘Patrimônio
material e imaterial’ e ‘Rede de infra-estrutura cultural’,
com 33 e 28 projetos, respectivamente. Em terceiro lugar vem
a categoria ‘Circulação e distribuição’, com 21 aprovações,
seguida das áreas ‘Capacitação e intercâmbio’, com 12
projetos, e ‘Organização e recuperação de acervos, bancos de
dados e pesquisas de natureza cultural’ e ‘Fomento à
produção de novas linguagens artísticas’, com sete
aprovações cada.
Os projetos são analisados por Câmaras Setoriais Paritárias
(CSP), formadas por representantes da Secretaria de Estado
de Cultura e de entidades da sociedade civil, ligadas à
cultura, o que garante maior objetividade e transparência ao
processo.
Mudanças no Edital
No intuito de adequar o FEC às necessidades dos gestores,
entidades culturais e prefeituras e de aprovar um maior
número de projetos, a Secretaria de Estado de Cultura
promoveu importantes mudanças no Edital/2008. A partir de
agora, não haverá limite de projetos a serem apresentados na
modalidade “Financiamento Reembolsável” e as entidades de
direito privado sem fins lucrativos poderão participar nas
duas modalidades do FEC, simultaneamente.
Outra mudança foi a criação de um bônus para projetos que
visam à preservação de um bem tombado ou de uma manifestação
cultural, desde que tenham sido apresentados ao Programa
ICMS Patrimônio Cultural, do Instituto Estadual do
Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG).
Estes projetos ganham cinco pontos somados à pontuação
concedida nos critérios Técnicos e de Fomento.