Especialistas em prevenção da
criminalidade de diversos países do
mundo estão reunidos em Durban, na
África do Sul, onde participam do
Encontro Internacional de Jovens para
Prevenção da Criminalidade nas Cidades,
promovido pela Organização das Nações
Unidas (ONU). A subchefe do Estado-Maior
da Polícia Militar, coronel Luciene
Albuquerque, participou nesta
terça-feira (17) do evento para falar
sobre as experiências do Juventude e
Polícia, implantado pelo Governo do
Estado em diversas unidades da Polícia
Militar de Minas Gerais (PMMG). O
objetivo do projeto é promover interação
entre jovens de aglomerados e a PM, por
meio da cultura e da arte.
“Os
resultados alcançados trouxeram
reconhecimento e reflexos altamente
positivos para a PMMG e demonstraram que
a repressão não deve ser a única
estratégia da polícia no relacionamento
com os jovens”, disse coronel Luciene. O
coordenador do grupo Afroreggae (RJ),
Betho Pacheco, um integrante do Programa
Fica Vivo, implantado em Belo Horizonte,
e a professora Ana Carolina, da
Faculdade Cândido Mendes, do Rio de
Janeiro, também foram convidados a
participar do encontro.
Aproximação pela arte
De
acordo com coronel Luciene, o projeto
foi adotado em Minas a partir de uma
parceria entre a Polícia Militar, o
grupo Afroreggae e os jovens, que têm
muito a ensinar e muito a aprender.
"Crianças e adolescentes podem, com esse
estreito relacionamento com policiais
militares, mudar toda a sua história de
vida. Por meio desse contato, lucram o
jovem, a corporação, o policial e a
sociedade", destacou.
Em
Durban, a oficial da PM disse que vai
explorar justamente esse relacionamento
entre as partes, que tem sido muito
proveitoso. Em suas palestras, coronel
Luciene deverá ainda especificar que as
relações entre a PM e os jovens,
sobretudo aqueles que moram em favelas e
nas periferias das grandes cidades,
quase sempre são baseadas em
estereótipos, de parte a parte. Para
ela, falar de polícia chega a ser um
tema tabu para alguns desses jovens.
Antes de viajar, a subchefe do
Estado-Maior ressaltou que raramente
policiais têm oportunidade de conhecer e
se relacionar com jovens fora do
contesto criminal. A meta é diminuir
essas barreiras, por meio de
apresentações musicais e oficinas
culturais. "A iniciativa pretende
estabelecer um diálogo entre a cultura
policial e a cultura do jovem", explicou
a militar.
O
projeto
O
Juventude e Polícia foi idealizado pelo
grupo Afroreggae e pela Faculdade
Cândido Mendes, do Rio de Janeiro. Em
Belo Horizonte, foi desenvolvido, a
partir de 2004, com a participação de
policiais militares da 1ª Região da
Polícia Militar (RPM). Atividades como
grafitagem, dança, interpretação,
percussão e basquetebol de rua fazem
parte do projeto.