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04/03/2008 01:00

José Gomes guarda lembranças dos tempos românticos dos bares e do “footing" na Rua São José
 

Antônio de Pádua Rodrigues


Aos 96 anos de idade, 82 deles dedicados ao comércio, o ouro-pretano José Gomes, proprietário da Papelaria Kodak, localizada na Rua de São José, é o mais antigo comerciante da cidade ainda no exercício da profissão. Tudo começou em 1926, quando tinha 15 ou 16 anos de idade, e em companhia de o seu irmão Januário Gomes trabalhou no Bar Trivellis, de propriedade do italiano Pompeu Trivellis, também situado na rua principal de Ouro Preto.
Nascido no povoado do Botafogo, onde ainda conserva a propriedade onde viveu sua família, "seu" José Gomes conta que, quando garoto, ajudava o pai, dono de uma pequena tropa de animais, a transportar para a cidade as verduras e os legumes colhidos na região. A oferta era grande e para conseguir preços mais compensadores, os produtos eram despachados na antiga estação ferroviária de Tripuí, com destino a Belo Horizonte, onde o lucro era maior, recorda José Gomes.
Em 1935, com a morte do comerciante Pompeu Trivellis, os irmãos Gomes dirigiram o Café Glória, ainda na Rua São José, ao lado do antigo Cine Central, de propriedade de Salvador Trópia, no mesmo prédio onde hoje funciona uma agência do Banco Itaú. Divulgada antes da exibição dos filmes, a publicidade era criativa e dizia: "Café Glória, melhor e mais saboroso, mesmo sem açúcar é gostoso".
Com sua excelente memória, "seu" José Gomes se recorda do romântico "footing", na Rua São José e na Praça Reynaldo Brito, pontos de encontro dos rapazes e moças da cidade após a sessão de cinema de 8 horas da noite, sempre nos fins-de-semana e nos feriados. O comerciante detalha o conflito acontecido na Rua São José, por volta de 1932, entre a banda de música do 10º Batalhão de Caçadores, instalado no antigo quartel, hoje campus da CEFET, e os estudantes da Escola de Minas. Na época, o Centro Acadêmico, o mesmo atual CAEM, funcionava no sobrado da família Ribas, ao lado do Hotel Toffollo.
"Em tom de brincadeira, os estudantes costumavam acompanhar os músicos, mas os soldados acharam que ato era uma chacota, e ameaçaram reprimir a iniciativa. O clima ficou tenso", conta José Gomes.
Na Rua São José, em frente à atual sede da Associação Comercial, e na Praça Tiradentes havia dois bares famosos, de propriedade dos irmãos Ermenegildo e Honorato. O da São José foi comprado por um de seus funcionários, de nome Crispim, que, até por volta de 1970, fabricava sorvetes e picolés que ficaram famosos na cidade. Mas, por volta de 1940, a primeira máquina de fabricar sorvetes foi trazida para Ouro Preto pelo comerciante Quidu, que foi proprietário do Bar Globo Azul, na Praça Cesário Alvim, conhecida como Praça da Estação.
 

   

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