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05/03/2008 20:57
O sábio e a vaquinha
Contam que um velho sábio peregrino caminhava
com seu discípulo pelas estepes da velha China. Por dias eles
caminhavam sem encontrar o menor sinal de civilização, nenhum
rio ou qualquer vegetação de onde pudessem tirar alimentos.
Muito ao longe, tiveram a impressão de avistar um pequena casa e
passaram a seguir naquela direção. Chegaram a uma cabana de
madeira, pararam e calmamente começaram a bater com as palmas
das mãos na esperança de serem atendidos. Logo um velho senhor
apareceu. Sua pele era queimada e muito curtida pelo sol. As
mãos pareciam fortes como as mãos de alguém que preenchia seus
dias inteiros com trabalhos pesados. Ao seu lado, timidamente
surgiu um menino que espiava curioso.
Os visitantes foram convidados a entrar. Lavaram-se em uma bacia
com limitada quantidade de água. Receberam leite, chá e queijo
enquanto conversavam com a dona da casa que aparecera para
servi-los.Na manhã seguinte, enquanto preparavam-se para a
partida, o velho sábio perguntou: "Há vários dias andamos por
estas pradarias. Nada encontramos, nada vimos. Como podem,
vocês, sobreviver por aqui?”. Serenamente o ancião explicou:
“Ali atrás da casa temos uma vaquinha. Uma vez por semana, ando
cerca de dez horas até um pequeno lago de água empossada da
curta época das chuvas. No lombo da vaca consigo trazer vários
galões de água. Com a água, nos lavamos e bebemos. Com o que
sobra regamos a pequena vegetação da qual a vaca se alimenta e
uma pequena moita de chá. Tiramos o leite e ainda o aproveitamos
para fazer queijo. Desta maneira montamos nosso dia a dia”.
Gratos, os andarilhos despediram-se a seguiram viagem. Passadas
algumas horas, o sábio peregrino pára e diz ao seu aprendiz:
"Volte àquela casa, sem ser visto, pegue a vaquinha e traga ela
para cá". Sentindo-se desnorteado ao duvidar pela primeira vez
da índole de seu mestre, o jovem obedeceu.
No dia seguinte encontraram alguns viajantes, aos quais o velho
presenteou com a vaca. O seu aprendiz nada compreendeu. Alguns
anos depois o jovem aprendiz tornara-se um peregrino solitário.
No meio de seu caminhar reconheceu a região pela qual, há muitos
anos, passara com seu mestre. Após alguns dias avistou o que
pareceu ser uma pequena vila. Ao chegar lá, viu uma venda onde
alguns viajantes comiam e bebiam. Sentou-se a uma das mesas e
pediu uma bebida. Entretido com seu lanche, pensou o que teria
acontecido com aquela família da qual havia roubado a vaquinha.
Certamente haviam morrido todos, sem alimentos e sem água.
Sentiu-se mal com o que fizera e cambaleou com uma rápida
tontura. A moça que servia a mesa aproximou-se rapidamente e
perguntou se estava tudo bem. O peregrino respondeu que sim e
disse:"Apenas me lembrei que neste local vivia uma família muito
simpática e bondosa. Dividiram comigo o pouco que tinham para se
alimentar. Penso o que terá acontecido com eles". A moça sorriu
e encaminhou o visitante até uma bela casa e explicou: “Aqui é a
sede desta fazenda na qual o senhor está. Por favor, entre e
aguarde”. O homem aguardou em uma grande sala até que um senhor
veio de um dos quartos. Espantado, o andarilho reconheceu o
senhor que o recebera em sua pequena casa muitos anos antes.
Cumprimentaram-se com alegria e o jovem perguntou: " O que
aconteceu?!"
O velho senhor contou a história: "Logo após sua partida, nossa
querida vaca desapareceu misteriosamente. Certos de que não
poderíamos viver e buscar água sem ela, começamos a pensar em
outras alternativas. Cavamos em vários locais até que
encontramos uma nascente subterrânea nas proximidades de nossa
casa. Com isto tínhamos água à vontade. Irrigamos a terra e logo
tínhamos muitas moitas de chá. Um mercador passou e ofereceu
sementes de alguns vegetais em troca de um pouco de chá.
Aceitamos e plantamos todos. Os viajantes passaram a saber que
aqui tínhamos água e vinham sempre para cá durante suas
jornadas. Trocando alimento e chá por outras coisas acabamos por
montar uma bonita horta, uma estalagem e um pequeno restaurante.
Temos vinte cabeças de gado e toda a minha família veio da
cidade para trabalhar conosco”.
O jovem sorriu aliviado. Não apenas tirara de seus ombros o peso
por ter roubado a vaca, mas entendera, enfim, a última grande
lição de seu mestre.
Quando acreditamos que todos os nossos problemas estão
resolvidos acabamos por nos acomodar. O que nos parece a
solução, pode ser o fim de nosso crescimento.
Autor Anônimo
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