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19/06/2008 00:19

"PORGY AND BESS"

A ópera negra de Gershwin ganha nova montagem em São Paulo. Nos papeis principais o baixo ouropretano José Galisa e a soprano Edna D'Oliveira

        Estréia na próxima semana em São Paulo uma nova montagem de Porgy & Bess, a "ópera negra" de George Gershwin.
       Um dos aspectos interessantes da montagem é que dos nove cantores solistas, nada menos que sete são mineiros!
       Os dois solistas principais são nomes consagrados da cena lírica brasileira: a soprano Edna D'Oliveira, que faz o papel de "Bess", nasceu em Belo Horizonte; e o baixo José Gallisa, o "Porgy", nasceu em Ouro Preto.
       Os demais mineiros são Edinéia de Oliveira (mezzo-soprano), Edson de Oliveira (tenor), Elenis Guimarães (soprano) também ouropretana, David Marcondes (barítono) e Ernane Dias (tenor).

    A obra estreou em 1935. Teve uma avant première em Boston e em seguida a montagem foi para o Alvin Theatre, em Nova York, onde esteve em cartaz até o início de 1936. Foram "apenas" 124 récitas, daí não ter sido considerada um grande sucesso!

    Esta nova produção paulistana de Porgy & Bess será uma versão compacta da ópera, mas com a assinatura do próprio compositor. Escrita para grande orquestra, coro e solistas, a obra tem originalmente três atos e 3:30 horas de duração. Após a estréia Gershwin fez uma série de cortes para a primeira temporada na Broadway, e várias outras versões foram feitas nos anos seguintes. A partitura integral só voltaria aos palcos nos anos 70.
     A versão a ser apresentada é a mesma que  Gershwin realizou quando da primeira gravação de Porgy & Bess em LP, no início dos anos 50. A montagem terá dois atos e aproximadamente 2:15 horas de música (com intervalo). No palco estarão 19 artistas (14 cantores, um ator e quatro bailarinos), acompanhados por um grupo de câmara com 12 músicos.
    São mantidos a trama, os personagens principais e todos os principais números musicais – "Summertime" (cantada por Clara e revisitada ao longo do espetáculo), "I got plenty o' nuttin'" (Porgy), "My man is gone now" (Serena), "Bess, you is my woman now" (dueto entre Porgy e Bess) e "I loves you, Porgy" (Bess), entre tantos outros temas que todos conhecemos, de centenas e centenas de gravações, e não apenas por cantores de jazz.
O baixo José Gallisa e a soprano Edna D'Oliveira, cantores negros como exige a obra, interpretam o casal protagonista: ele como Porgy, um mendigo deficiente físico; ela como Bess, uma prostituta viciada em cocaína. Gallisa e Edna têm grande experiência com a obra, já a cantaram, parcial ou integralmente, em várias ocasiões. Destaque ainda no elenco de cantores solistas para a mezzo-soprano Ednéia de Oliveira, a soprano Elenis Guimarães, o barítono David Marcondes, o barítono Ademir da Costa e o tenor Geilson dos Santos, respectivamente nos papéis de Serena, Clara, Crown, Jake e Sportin' Life.

Trânsito entre o popular e o erudito – Esta que é a primeira montagem paulista da ópera de George Gershwin é uma realização da Secretaria de Cultura do Estado, com produção da APAA-Associação Paulista dos Amigos da Arte e da Escamilla Soluções Culturais.
    A direção cênica é de João Malatian. "Me inspirei nas várias versões que já existem da obra como ópera, como musical e até como filme para fazer algo híbrido, uma nova experimentação. Com menos cantores e mais enxuta, esta produção vai dar um caráter mais intimista ao espetáculo”, explica Malatian.
    A adaptação, os arranjos e a direção musical estão a cargo do diretor e regente Felipe Senna, à frente de um grupo de câmara formado por 12 instrumentistas (violino, viola, violoncelo, banjo, piano, baixo, bateria, trompa, trompete, sax, flauta, clarinete e clarone), que transitam entre o popular e o erudito. “Estamos dando destaque às características jazzísticas da obra”, diz Senna.
    Os cenários têm a assinatura de Renato Theobaldo e Roberto Rolnick Cardoso. São utilizados materiais recicláveis, tais como caixotes de frutas e verduras, que transformam o palco em um enorme cortiço, com ares de instalação de arte.
    Para o figurino, Fábio Namatame se inspirou no estilo do gueto americano dos anos 30, 40. “Dentro da simplicidade e da pobreza, os personagens buscam apresentar o glamour da época. Não há personagens vestindo trapos; usam ternos e vestidos”, diz João Malatian.
    Vicente Amato Filho, diretor artístico da APAA-Associação Paulista dos Amigos da Arte, responsável pela realização do espetáculo explica que essa obra foi considerada racista até por artistas e lideranças afro-americanos, que a acusaram de ter firmado estereótipos. “Mas Gershwin fez estudos minuciosos nos estados do sul dos Estados Unidos e, apesar de ter sofrido resistências de ambos os lados, sofrer controvérsias até hoje, é inegável que sua música atingiu dimensões globais, sendo hoje uma das mais recriadas e interpretadas do mundo”, afirma o especialista.

José 'Porgy' Gallisa

Mineiro de Ouro Preto, José Gallisa é, há muito, um dos mais destacados baixos em atividade no Brasil. É impossível ficar indiferente à profundidade e intensidade de sua voz. E além da excepcional qualidade vocal, no palco ele tem sempre uma impactante presença cênica. Com intensa atuação na cena lírica nacional, Gallisa vem também consolidando forte presença no plano internacional. Acaba de regressar dos Estados Unidos, onde voltou a atuar na temporada da Ópera de San Diego, desta vez cantando em "Aída", de Verdi, e em "O Pescador de Pérolas", de Bizet, com atuações que receberam aplauso de público e elogios da crítica.

Edna 'Bess' D'Oliveira

Mineira de Belo Horizonte, é reconhecidamente um das mais importantes sopranos de sua geração no Brasil. Dona de um timbre doce e cristalino, nos últimos dez anos a cantora tem se apresentado, sempre com grande êxito, de dezenas de produções – da "Bohème" de Puccini ao "Elisir d’Amore" de Donizetti, da "Flauta Mágica" de Mozart à "Nona Sinfonia" de Beethoven, da “Carmina Burana” de Orff à “A Floresta do Amazonas” de Villa-Lobos. Edna acaba de participar, uma vez mais, do Festival Amazonas de Ópera, onde atuou em duas óperas, “Ariadne em Naxos”, de Richard Strauss, e “João e Maria”, de Humperdinck, e em recital cantando a “Petite Messe Solennelle”, de Rossini.


Serviço

  • Porgy & Bess, ópera de George Gershwin, com libretto de DuBose Heyward e Ira Gerswhin

  • Com José Gallisa, baixo, e Edna D'Oliveira, soprano

    • e mais 12 instrumentistas, 12 cantores solistas, um ator e quatro bailarinos

  • Direção musical de Felipe Senna

  • Direção cênica de João Malatian

  • Dias

    • 26 de Junho, quinta-feira, 20:30 horas

    • 28 de Junho, sábado, 20:30 horas

    • 29 de Junho, domingo, 17 horas

  • Theatro São Pedro (636 lugares)

    • Rua Barra Funda 171, Barra Funda, tel. (11) 3667-0499

  • Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

  • Indicação etária: 14 anos

 

 

   

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