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10/06/2008 15:19

Radiocirurgia

 Telma Elisa da Silva Souza

 

João Felício e Instituto Oncológico realizam procedimento inédito e garantem tratamento de ponta a pacientes do SUS

  Pacientes portadores de Malformações Artério-Venosas (MAV- distúrbio congênito dos vasos sanguíneos do cérebro nos pontos onde existe uma conexão anormal entre artérias e veias) e de tumores cerebrais localizados contam com um novo procedimento custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Juiz de Fora: a Radiocirurgia e Radioterapia Estereotáxica.

  A nova técnica foi realizada pela primeira vez em Minas Gerais, no final de maio, pela equipe de especialistas do Hospital Doutor João Felício e do Instituto Oncológico de Juiz de Fora. O tratamento de uma MAV com Radiocirurgia inclui-se no arsenal terapêutico das cirurgias minimamente invasivas que permitem o tratamento de doenças cerebrais por meio de pequenas intervenções, muitas vezes com anestesia local, sem sedação, e sem necessidade de internação.

  Na manhã do dia 24 de maio, a equipe realizou o procedimento inédito na balconista Rejane Formigon de Paula, 30 anos, vítima de uma Malformação Artério-Venosa (MAV).  Depois de três dias de fortes dores de cabeça, ela deixou Santos Dumont(MG), onde mora, para procurar atendimento médico em Juiz de Fora.  Após diversos exames, teve confirmada a malformação. "Foi encontrada uma MAV de grande extensão e a indicação para o meu caso era a cirurgia de cabeça aberta. Ao ser avaliada pelo Dr. Amaury Bara, fui informada de que havia uma chance de tratar meu problema, sem a necessidade de ter meu crânio aberto e os riscos enormes de complicações pós-operatórias", conta a balconista.

  De acordo com o radioncologista Olamir Rossini Júnior, a Radiocirurgia exige uma equipe multidisciplinar altamente treinada que inclui, desde neurocirurgiões e radioterapeutas, até físicos especialistas em medicina nuclear. A equipe formada por  radiooncologistas e físicos do Instituto Oncológico e Hospital Doutor João Felício atuou também com neurointervencionistas do Hospital do Coração.  Ainda segundo especialista, a lesão de Rejane Formigon era de grande extensão e foi localizada numa área profunda do cérebro. "Uma cirurgia de crânio aberto poderia deixar seqüelas, como comprometimento da fala e até mesmo da locomoção".

 O neurocirurgião Amaury Bara explica que a MAV atinge cerca de 3% da população na faixa etária de 15 a 45 anos. Ele acredita numa mudança no tratamento neurocirúrgico em Juiz de Fora e todo o estado de Minas Gerais. "Com a realização deste procedimento em Juiz de Fora,  muitos médicos poderão garantir que seus pacientes sejam tratados mais próximos de casa. "Até então, as pessoas com indicações para este tipo de método eram encaminhadas para tratamento em São Paulo. O que acarreta um custo muito alto,  além do desgaste emocional de buscar tratamento em outro estado."

Em Juiz de Fora, o procedimento é realizado por especialistas do Instituto Oncológico  na Unidade de Radioterapia do Hospital Doutor João Felício, localizado à Avenida Barão de Juiz de Fora nº  88, Bairro Santos Anjos.

Radiocirurgia

A radiocirurgia tem sido especialmente útil para tratamento altamente preciso de MAV e tumores cerebrais localizados, devido à redução significativa dos campos de irradiação do centro do alvo a ser destruído. A inativação ocorre somente sobre ele, enquanto o cérebro e outras estruturas vasculares e neurais que o circundam, são protegidas. Isto é alcançado através de alta precisão mecânica do feixe de radiação. A precisão no posicionamento do paciente, no cálculo de dosagens e na segurança do paciente são extremamente altas.

Os alvos de radiação altamente precisos dentro do cérebro são planejados pelo cirurgião com base em imagens, tais como tomografia computadorizada, ressonância magnética, e angiografia digital do cérebro. A radiação é aplicada de uma origem externa, sob orientação mecânica precisa por um equipamento especializado. Muitos feixes são dirigidos e centralizados na lesão intracraniana a ser tratada. Desta forma, os tecidos saudáveis ao redor da área-alvo são preservados

PRIMUS HI

A radiocirurgia tem sido usada para tratar muitos tipos de tumores cerebrais, tais como neuromas acústicos, astrocitomas, gliomas, germinomas, meningeomas, entre outros. Mesmo as metástases altamente fatais no tronco encefálico podem ser reduzidas, deixando o paciente neurologicamente intacto. Em Minas Gerais, os especialistas do Instituto Oncológico  e do Hospital João Felício foram pioneiros na realização deste método utilizando o acelerador linear Primus Hi

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A MAV

Na prática, a MAV é um enovelado de vasos mal formados que podem se romper causando lesões que variam de tamanho e gravidade. As pequenas dificultam sua identificação nos exames, até as extensas que podem envolver um fluxo sanguíneo suficiente para estressar a capacidade de bombeamento do coração.

  Cerca de 70% das pessoas portadoras de MAV sofrem esse tipo de sangramento em algum local. As lesões têm  probabilidade de sangrar, e se uma lesão sangra uma vez, o risco de um novo sangramento no futuro será maior.

 As MAV´s ocorrem em cerca de 3 em cada 10 mil pessoas. Embora a lesão esteja presente ao nascimento, os sintomas podem se manifestar a qualquer tempo, embora se desenvolvam antes dos 30 anos de idade.

Sintomas

Os sintomas deste distúrbio normalmente não se manifestam até o aparecimento de uma complicação séria, como o caso de sangramento. Por isso, a malformação arteriovenosa é, quase sempre, uma condição de emergência que exige hospitalização e tratamento imediatos.

Malformações muito grandes podem permitir um curto-circuito do fluxo sangüíneo suficiente para provocar uma descompensação cardíaca (quando o coração se torna incapaz de bombear sangue suficiente para compensar o sangramento cerebral). Esta condição é geralmente identificada em bebês e em crianças mais novas.