Radiocirurgia
Telma
Elisa da Silva Souza
João
Felício e Instituto Oncológico realizam procedimento inédito
e garantem tratamento de ponta a pacientes do SUS
Pacientes portadores de
Malformações Artério-Venosas (MAV- distúrbio congênito dos
vasos sanguíneos do cérebro nos pontos onde existe uma
conexão anormal entre artérias e veias) e de tumores
cerebrais localizados contam com um novo procedimento
custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Juiz de Fora:
a Radiocirurgia e Radioterapia Estereotáxica.
A nova técnica foi
realizada pela primeira vez em Minas Gerais, no final de
maio, pela equipe de especialistas do Hospital Doutor João
Felício e do Instituto Oncológico de Juiz de Fora. O
tratamento de uma MAV com Radiocirurgia inclui-se no arsenal
terapêutico das cirurgias minimamente invasivas que permitem
o tratamento de doenças cerebrais por meio de pequenas
intervenções, muitas vezes com anestesia local, sem sedação,
e sem necessidade de internação.
Na manhã do dia 24 de maio,
a equipe realizou o procedimento inédito na balconista
Rejane Formigon de Paula, 30 anos, vítima de uma Malformação
Artério-Venosa (MAV). Depois de três dias de fortes dores
de cabeça, ela deixou Santos Dumont(MG), onde mora, para
procurar atendimento médico em Juiz de Fora. Após diversos
exames, teve confirmada a malformação. "Foi encontrada uma
MAV de grande extensão e a indicação para o meu caso era a
cirurgia de cabeça aberta. Ao ser avaliada pelo Dr. Amaury
Bara, fui informada de que havia uma chance de tratar meu
problema, sem a necessidade de ter meu crânio aberto e os
riscos enormes de complicações pós-operatórias", conta a
balconista.
De acordo com o
radioncologista Olamir Rossini Júnior, a Radiocirurgia exige
uma equipe multidisciplinar altamente treinada que inclui,
desde neurocirurgiões e radioterapeutas, até físicos
especialistas em medicina nuclear. A equipe formada por
radiooncologistas e físicos do Instituto Oncológico e
Hospital Doutor João Felício atuou também com
neurointervencionistas do Hospital do Coração. Ainda
segundo especialista, a lesão de Rejane Formigon era de
grande extensão e foi localizada numa área profunda do
cérebro. "Uma cirurgia de crânio aberto poderia deixar
seqüelas, como comprometimento da fala e até mesmo da
locomoção".
O neurocirurgião Amaury Bara
explica que a MAV atinge cerca de 3% da população na faixa
etária de 15 a 45 anos. Ele acredita numa mudança no
tratamento neurocirúrgico em Juiz de Fora e todo o estado de
Minas Gerais. "Com a realização deste procedimento em Juiz
de Fora, muitos médicos poderão garantir que seus pacientes
sejam tratados mais próximos de casa. "Até então, as pessoas
com indicações para este tipo de método eram encaminhadas
para tratamento em São Paulo. O que acarreta um custo muito
alto, além do desgaste emocional de buscar tratamento em
outro estado."
Em Juiz
de Fora, o procedimento é realizado por especialistas do
Instituto Oncológico na Unidade de Radioterapia do
Hospital Doutor João Felício, localizado à Avenida Barão
de Juiz de Fora nº 88, Bairro Santos Anjos.
Radiocirurgia
A radiocirurgia tem sido
especialmente útil para tratamento altamente preciso de
MAV e tumores cerebrais localizados, devido à redução
significativa dos campos de irradiação do centro do alvo
a ser destruído. A inativação ocorre somente sobre ele,
enquanto o cérebro e outras estruturas vasculares e
neurais que o circundam, são protegidas. Isto é
alcançado através de alta precisão mecânica do feixe de
radiação. A precisão no posicionamento do paciente, no
cálculo de dosagens e na segurança do paciente são
extremamente altas.
Os alvos de radiação
altamente precisos dentro do cérebro são planejados pelo
cirurgião com base em imagens, tais como tomografia
computadorizada, ressonância magnética, e angiografia
digital do cérebro. A radiação é aplicada de uma origem
externa, sob orientação mecânica precisa por um
equipamento especializado. Muitos feixes são dirigidos e
centralizados na lesão intracraniana a ser tratada.
Desta forma, os tecidos saudáveis ao redor da área-alvo
são preservados
PRIMUS HI
A radiocirurgia tem sido
usada para tratar muitos tipos de tumores cerebrais,
tais como neuromas acústicos, astrocitomas, gliomas,
germinomas, meningeomas, entre outros. Mesmo as
metástases altamente fatais no tronco encefálico podem
ser reduzidas, deixando o paciente neurologicamente
intacto. Em Minas Gerais, os especialistas do Instituto
Oncológico e do Hospital João Felício foram pioneiros
na realização deste método utilizando o acelerador
linear Primus Hi
MAIS INFORMAÇÕES
SOBRE A MAV
Na prática, a MAV é um
enovelado de vasos mal formados que podem se romper
causando lesões que variam de tamanho e gravidade. As
pequenas dificultam sua identificação nos exames, até as
extensas que podem envolver um fluxo sanguíneo
suficiente para estressar a capacidade de bombeamento do
coração.
Cerca de 70% das pessoas
portadoras de MAV sofrem esse tipo de sangramento em
algum local. As lesões têm probabilidade de sangrar, e
se uma lesão sangra uma vez, o risco de um novo
sangramento no futuro será maior.
As
MAV´s
ocorrem em cerca de 3 em cada 10 mil pessoas. Embora a
lesão esteja presente ao nascimento, os sintomas podem
se manifestar a qualquer tempo, embora se desenvolvam
antes dos 30 anos de idade.
Sintomas
Os sintomas deste
distúrbio normalmente não se manifestam até o
aparecimento de uma complicação séria, como o caso de
sangramento. Por isso, a malformação arteriovenosa é,
quase sempre, uma condição de emergência que exige
hospitalização e tratamento imediatos.
Malformações muito grandes
podem permitir um curto-circuito do fluxo sangüíneo
suficiente para provocar uma descompensação cardíaca
(quando o coração se torna incapaz de bombear sangue
suficiente para compensar o sangramento cerebral). Esta
condição é geralmente identificada em bebês e em
crianças mais novas.