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Período colonial
Origem
Enquanto as descobertas de ouro nos córregos continuavam no sertão,
elevando nomes como o de Antônio Dias de Oliveira, Bartolomeu Bueno de
Siqueira, Carlos Pedroso da Silveira e entre outros, apareciam bandeiras
e gente vinda já da Bahia e Pernambuco, «acendendo ambições de além-mar,
seguindo na trilha das outras e outras porém com rumo certo, procurando
ora o rio das Velhas (cuja tradição ficou entre os Paulistas, que haviam
acompanhado a bandeira de Fernão Dias Pais e de D. Rodrigo de
Castelo-Branco), ora o Tripuí, onde já se havia encontrado o afamado
Ouro Preto, balizado pelo cabeço enevoado do pico do Itacolomi, que
começavam a avistar logo transposto o Itatiaia. Orientados pelos picos
que eriçam as serras de Ouro Branco, Itatiaia, Ouro Preto, Itacolomi,
Cachoeira, os habitantes seguiam juntos ou separados, Casa Branca ,
Ribeirão do Carmo, etc.
Diz Antonil que da mina da serra do Itatiaia, a saber do ouro branco,
que assim chamavam ao ouro ainda não bem formado, distante do ribeiro do
Ouro Preto oito dias de caminho moderado até o jantar, não faziam caso
os Pauistas caso por terem as outras de ouro formado e muito melhor
rendimento».
Segundo José Rebelo Perdigão, secretário do Governador Artur de Sá e
Menezes, em 1695 e 1696 teria sido descoberto nesta montanha um ribeiro
aurifero ao qual se deu mais tarde o nome de Gualacho do Sul, mas que os
Paulistas desta bandeira de Miguel Garcia se recusaram a dividir a
jazida com seu companheiros de Taubaté os quais, se tendo então
separado, tomaram marcha para o interior e descobriram o ribeiro de Ouro
Preto. «Dos córregos e morros de Ouro Preto, ainda hoje chamados o
Passadez, Bom Sucesso, Ouro Fino, Ouro Bueno, foram descobridores
Antônio Dias, de Taubaté, o Padre João de Faria Fialho, Tomás Lopes de
Camargo, primo do descobridor do Itaverava Bartolomeu Bueno de Siqueira.
As terras ali eram de «tal modo requestadas que por acudir muita gente,
só pode tocar três braças em quadra a cada minerador», segundo o
historiador Varnhagen. Nomes como Brumado, Sumidouro, rio Pardo,
Guarapiranga, rio das Mortes, Aiuruoca apareceram na geografia mineira,
trazidos por Camargos e Pires, Pedrosos, Alvarengas, Godois, Cabrais,
Cardosos, Lemes, Pais, Guerras, Toledos, Furtados, como no canto VI de
«Vila Rica», o poema.
A atividade mineradora
A Coroa concedia aos responsáveis de
descobertas uma mina de 80 varas sobre 40 e mais uma data de 60 x 30
sobre a mesma beta, ambas à escolha, entremeando entre uma e outra 120
varas para serem ocupadas por duas datas menores. O cálculo atual é
igual a (80x40= 3.200 varas quadradas ou seja 3.872m2); ,60x30 = 1.800
braças quadradas ou seja 2.178m2 atuais.
Em águas correntes e nas quebradas dos montes, o quinhão do descobridor
era de 60 varas de comprido por 12 de largo, metidas no meio da corrente
ou da quebrada, sendo o de cada um dos aventureiros 1/3 menor; se o rio
era grande, tocavam ao descobridor 80 varas e aos mais 60. Nas minas
menores, em outeiros, campos ou às bordas de rios, era de 30 varas
quadradas a data do descobridor e de 20 as outras; se a area não
chegasse para todos os pretendentes, o Provedor devia dividir as datas
proporcionalmente».
Não era distribuição fácil nem equitativa, pois às vezes eram explorados
aluviões riquíssimos ao longo de um curso d'água estreito, e assim a
riqueza mineral não era bem distribuída. Pelo Direito da época, o senhor
do solo e do subsolo era o rei, mas não podia trabalhar a terra e a dava
em quinhões a particulares para explorar mediante parte nos resultados,
o que constituía a pensão enfitêutica devida ao senhorio. A porção era
de 20% = o célebre quinto do ouro cuja história é a própria história de
Minas, segundo seu historiador Diogo de Vasconcelos. Para a arrecadação,
em cada distrito havia um Guarda-mor com escrivão, tesoureiro e
oficiais. «Consideravam-se novas só as lavras distantes meia légua de
alguma lavra já conhecida, de modo que os ambiciosos afastavam-se delas
para se enquadrarem nas regalias, multiplicando-se os manifestos e seus
exploradores, sem garantia de vida ou propriedade, tendo que se
entrincheirar no próprio local de trabalho, levantando abrigos ou
aproveitando as bocas das minas, concorrendo para a disseminação d
povoados». Vieram artífices de profissões diversas, no arraial de Ouro
Preto e no arraial de Antônio Dias, no Caquende, Bom Sucesso, Passa-Dez,
na Serra e Taquaral, construindo capelas, casas de morada e fabricando
ferramentas.Em toda parte foi revirada e pesquisada a areia dos ribeiros
e a terra das montanhas, levantando-se barracas perto de terrenos
auríferos, arraiais de paulistas começando a povoar o interior da terra
que hoje é Minas Gerais. Organizaram-se depois os povoados em torno de
capelas provisórias, até a «grande fome.
A fome de 1700 a 1703
Falava-se de fome desde meados de 1700,
quando a escassez alarmante de víveres começou a se estender aos
povoados do Ribeirão do Carmo. O ouro enchia as bruacas e como ninguém
admitia a idéia de ali permanecer depois de rico, nada se plantava; e do
Rio das Velhas vinham tropas de negociantes para vender carne e víveres.
No Ouro Preto e no Carmo a paisagem era rude, solo pedregoso, aspecto
ameaçador, selvagem, abrindo-se em vales estreitos e profundos, nada
alentador para a agricultura. Circulava ouro em pó como moeda e havia
pouco a comprar. E, além do mais, uma epidemia de bexigas correu pelos
arraiais, «onde se defendia uma quarta de milho ou saco de mandioca às
armas». Dois forasteiros se mataram a faca ppor uma cuia d farinha.
Cheias dos rios em duas terriveis estações de chuvas, 1699 e 1701,
agravaram a situação. Começou o êxodo de populações para os arraiais de
Itaverava e Ouro Branco, caindo de inanição nos caminhos do Rodeio.
Existiria até hoje o Campo das Caveiras: centenas, sucumbidos no esforço
de subir a serra fugindo de Ouro Preto. Salteavam os vivos e saqueavam
os mortos negros escravos e ciganos armados, os Pauistas reuniram seus
burros e retornaram a São Paulo ou partiram para o Rio das Velhas (c° o
Guarda-Mor Domingos da Silva Bueno, que começava a dar ordem às Minas)
defendendo-se a tiro e espada. Os poucos no arraial de Ouro Preto se
salvaram pela ambição de mercadores sertanejos, correndo ao famoso vale
com cargas, conseguindo fabulosos lucros. Nos dois anos seguintes à
ocupação em 1698 do rico ribeiro do Carmo, abateu-se sobre os pequenos
povoados fome. Havia total falta de mantimentos, cobrava-se por um
alqueire de milho vinte oitavas de ouro, 32 oitavas por um alqueire de
farinha ou de feijão, uma galinha custava 12 oitavas, 1 cachorrinho ou
gatinho 32, uma vara d fumo valia cinco oitavas e um prato pequeno de
estanho, cheio de sal, oito. Diz o cronista: «por cuja causa e fome
morreu muito gentio, tapanhunhos e carijós , por comerem bichos de
taquara, que, para os comer, é necessário estar um tacho no fogo quente
e os vão botando; os vivos boiam com a quentura, que são os bons, e se
come algum morto é veneno refinado...
A corrida do ouro
Diz Antonil em 1710: « A sede insaciável
do ouro estimulou a tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por
caminhos tão ásperos como os das Minas, que dificultosamente se poderá
dar conta do número das pessoas que atualmente lá estão. Cada ano vem
nas frotas quantidades de portugueses e estrangeiros para passarem às
Minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil vão brancos,
pardos e pretos e muitos índios de que os Paulistas se servem.» E,
adiante: «As constantes invasões de portugueses do litoral vencerão os
Paulistas que haviam descoberto as lavagens de ouro - florestas batidas,
montanhas revolvidas, rios desviados de cursos pois a sede de ouro
enlouquecia. Desciam das serras que isolavam Minas homens levando
famílias, escravos, instrumentos de mineração, atravessando florestas e
vadeando rios caudalosos depois de lutar às vezes contra índios expulsos
do litoral. Frades fugiam dos conventos, proprietários abandonavam
plantações, procurando como loucos as terras do centro - visão fugitiva
de riquezas acumuladas sem luta nem trabalho…
Período imperial
Ouro Preto em 1870.
Em 1823, após a Independência do Brasil,
Vila Rica recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro I
do Brasil, tornando-se oficialmente capital da então província das Minas
Gerais e passando a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto. Em
1839 foi fundada a Escola de Farmácia, tida como a primeira escola de
farmácia da América do Sul.
Em 12 de outubro de 1876, a pedido de D. Pedro II do Brasil, Claude
Henri Gorceix fundou a Escola de Minas em Ouro Preto. Esta foi a
primeira escola de estudos mineralógicos, geológicos e metalúrgicos do
Brasil, que hoje é uma das principais instituições de engenharia do
País. Assim era descrita a cidade de Ouro Preto pelo ilustre fundador da
Escola de Minas, em relatório enviado ao Imperador Dom Pedro II: "Em
muito pequena extensão de terreno pode-se acompanhar a série quase
completa das rochas metamórficas que constituem grande parte do
território brasileiro e todos os arredores da cidade se prestam a
excursões mineralógicas proveitosas e interessantes."(Claude Henri
Gorceix)
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