Ouro Preto, 

- CONHECER LAFAIETE
HISTÓRIA MONUMENTOS DISTRITOS PARQUES DADOS

 

CONSELHEIRO LAFAIETE – UMA HISTÓRIA REAL 

É uma cidade em que o passado e o presente se encontram harmoniosamente.

Bem no coração da cidade, cruzam-se dois caminhos da história de Minas Gerais: o “Caminho Velho”, das bandeiras que procuravam a riqueza do ouro  e a conquista de terras, e o “Caminho Novo” , (Estrada Real) encurtando distâncias  e promovendo o progresso, sendo ainda, séculos depois, uma via de grandeza e crescimento.

A arquitetura eclética é testemunha do passar dos tempos e os seus monumentos são marcas na sua configuração  histórica de um  povo que venera e respeita as conquistas do passado, mas também trabalha por um presente digno e pleno de progresso- presente e passado construtores do futuro que o aguarda no horizonte.

“Assíduo vir propositti omnia vincit”

Esta é a frase que ostenta o chafariz de fino lavor artístico, datado de 1881, localizado na Praça Barão de Queluz que sintetiza toda a existência desta progressista cidade, classificada por organismos internacionais como a décima cidade mineira em qualidade de vida.

Os altivos índios, desbravadores brancos e os obreiros negros forjaram uma raça forte, cujos ideais de liberdade e trabalho atravessaram mais de três séculos de conquistas, concretizando os dizeres do monumento:

“ O homem persistente com um propósito sempre tudo vence.”

VERSÃO HISTÓRICA

A primeira notícia que se tem da história de Conselheiro Lafaiete, uma das cidades mais antigas de Minas Gerais, é por volta de 1683, dada pela bandeira de Garcia Rodrigues, que fala do arraial de garimpeiros e índios.

Consta que antes essas passagens já teriam sido visitadas pelo português Dom Rodrigo Castel Branco, em 1680/1681, e mesmo, anteriormente, pelas bandeiras de Paes Leme (1674) e Lourenço Castanho (1675) que, penetrando no vasto sertão, desbravavam as terras abrindo picadas e caminhos. E na aventura achavam ouro, plantavam roças, criavam animais.

Muitos pesquisadores se perderam na selva das hipóteses, para definir os primeiros passos da civilização em Carijós, mas é tido como certo que alguns remanescentes da bandeira de Borba Gato, logo após a morte do português Dom Rodrigo, vieram minerar no Morro do Deus te Livre ( Serra de Ouro Branco) e, como lá os silvícolas eram ferozes, fizeram sua morada junto aos índios carijós , de boa índole e pacíficos , que tinham sua taba num vasto planalto nos contrafortes da Mantiqueira. Ao agrupamento foi dado, posteriormente, o nome de Campo Alegre dos Carijós.

Esses carijós, pertencentes ao grupo lingüístico tupi-guarani, tinham vindo do litoral fluminense, fugindo das hostilidades de outras tribos e das maldades dos caçadores de escravos.

De acordo com o arqueólogo Dr. José Vicente César, esses aborígines já deviam ter sido catequizados, chegando a essa conclusão pelo fato de que “ os carijós , desde o início, aceitaram com entusiasmo e bons resultados de mútua integração cultural”, chegando a estas plagas antes dos desbravadores das Gerais.

È provável que, já logo nos primeiros tempos, tivessem bandeirantes e índios se congregado na piedosa tarefa de erigir uma primitiva ermida no Campo Alegre dos Carijós, cercada de esteiras e coberta de colmos, onde colocaram as imagens que sempre os bandeirantes traziam consigo

 Foram feitas plantações, levantaram-se choças, e a vida decorria tranqüila até que, na última década do século XVII , começou a corrida em busca de riquezas  nas minas auríferas da região. O arraial de Carijós era a passagem obrigatória  para Itaverava, Guarapiranga, Mariana e Catas Altas. Tornou-se pouso para os viajantes e entreposto de mercadorias.

Em 1694, a grande bandeira paulista de Manuel Camargo, Bartolomeu Bueno de Siqueira, Miguel Garcia de Almeida Cunha e João Lopes de Camargo oficializou a existência do arraial, que teve,então, um grande desenvolvimento.

Por essa [época teria sido erigida uma capela ou igreja, de pau-a-pique, dedicada ao culto da Imaculada Conceição, provavelmente próxima  ao local onde hoje se ergue a Igreja de São João, de acordo com o que se deduz da Carta de Sesmaria concedida a Jerônimo Pimentel Salgado que, juntamente com Amaro Ribeiro, tiveram reconhecidas as posses de várias léguas de terras em 1711.

O templo era um dos limites citados no documento e devia ser bem freqüentado pois, em 1709, o padre Gaspar Ribeiro Fonseca, enviado pelo bispo do Rio de Janeiro Dom Frei Francisco de São Jerônimo, criou a paróquia de Nossa Senhora da Conceição, pertencente à Diocese do Rio de Janeiro, passando a aldeia a chamar-se  Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Campo Alegre dos Carijós. 

Mandou-se trazer da cidade de Porto, em Portugal, uma nova imagem da padroeira, em madeira, belíssima em sua coce3pção artística, que até s dias atuais é venerada na cidade. O culto à Virgem reunia a população constituída de nobres – alguns descendentes de Dom Afonso Henrique (fundador de Portugal) – do povo, ficando do lado de fora da igreja, os escravos.

Em 1711 chegou a Carijós o Caminho Novo, que encurtava  o tempo de viagem entre o Rio de Janeiro e as minas.Também na mesma época, quando o Governador Antõnio de Albuquerque dirigiu-se com um contingente mineiro em direção ao Rio para socorrer a Capital, assaltada pelos corsários franceses de Duguay Trouin, um grupo de jovens de Carijós participou da perigosa empreitada.

O aumento dos “fogos”, como se denominavam as moradias, e o crescimento rápido da população, levaram a Irmandade do Santíssimo Sacramento a construir, a partir de 1732, nova Matriz, em imponente estilo barroco, à base de taipa e madeira, no local onde se encontra até hoje, que recebeu posteriormente uma sapata de pedras ao seu redor.

Em 1752 iniciou-se a construção da Igreja de Santo Antônio e, em 1764, da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

Quando o ouro diminuiu e a cobrança dos quintos sobrecarregou a população, houve um grande clima de descontentamento, sendo forte em Carijós o movimento da Inconfidência, sendo filhos da terra o Padre Manoel Rodrigues da Costa e o Padre José Maria Fajardo de Assis.

Atendendo ao pedido dos habitantes do arraial, foi criada a Real Vila de Queluz, através de ato assinado pelo Visconde de Barbacena, na própria vila recém-criada a 19 de setembro de 1790. Autorizou-se então a construção de um Pelourinho, que simblizava as liberdades municipais, como era feito na antiga Roma. O Pelourinho de Queluz era encimado por um busto, do capacete à cabeça, com um sabre enfiado em seu crânio.

A 25 de junho de 1822, a Câmara da Vila Real de Queluz  fez uma petição a Dom Pedro, Príncipe Regente,  no sentido de que mandasse instalar a Câmara de Cortes do Brasil, o que seria um importante passo no sentido da Independência.

A Lei nº 1276 de 02 de janeiro de 1866 elevou a Real Vila de Queluz à categoria de cidade e em 1872 foi criada a Comarca de Queluz. O nome Conselheiro Lafaiete passou a vigorar a partir de 27 de março de 1934, em homenagem a Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, quando se comemorava o centenário de seu nascimento.

 No cenário da Segunda Guerra Mundial, Conselheiro Lafaiete esteve presente com 63 de seus filhos que atuaram nos campos de batalha, conquistando brilhantes vitórias.           

Conselheiro Lafaiete nasceu do encontro de duas raças diferentes : dos mineradores e dos índios carijós, ambas à procura da liberdade, da sintonia da terra fértil e dadivosa, hoje guardiã de imensos tesouros.

Nasceu num berço de verdura colorido de flores, rodeado de montanhas, batido pelo vento e pelo sol: um Campo Alegre dos Carijós.

Enfeitou-se de templos barrocos e aprendeu com o sofrimento a reagir, a ter ânsias de liberdade e a ter o nome de Real Vila de Queluz.

Teve uma adolescência repleta de sonhos, de trabalhos, de construções, de crescimento e a cada dia ficava mais bela e culta.Até que um dia entrou na maturidade e passou a ser a Conselheiro Lafaiete, que contempla o presente e sorri, porque tem qualidade de vida, infra-estrutura sólida, programas de assistência e muitas outras coisas indicativas de progresso e desenvolvimento.

A BANDEIRA DO MUNICÍPIO

 É de autoria do heraldista Arcinoé Antônio Peixoto de Faria, da Enciclopédia Heráldica Municipal. É enquartelada em cruz , sendo os quartéis verdes constituídos por quatro faixas brancas sobre faixas vermelhas, dispostas duas a duas no sentido horizontal e vertical e que partem dos vértices de um losango branco, onde o brasão municipal é aplicado.

O estilo da bandeira obedece à tradição heráldica portuguesa da qual herdamos os cânones e regras, com direito a opção pelos estilos sextavados, enquartelados em cruz, ou em sautor e terciado, sem destes ter adotado o estilo enquartelado em cruz,lembrando nesse simbolismo , o espírito cristão do povo de Conselheiro Lafaiete.

O brasão ao centro simboliza o Governo Municipal e o losango, onde é aplicado, representa a própria cidade, sede do Município.

As faixas simbolizam o Poder Municipal que se expande a todos os quadrantes do território e os quartéis, assim constituídos, representam as propriedades rurais existentes no território municipal.

As cores da bandeira municipal, ainda em conformidade com a tradição heráldica portuguesa, devem ser as mesmas constantes do campo do escudo do brasão. O verde simboliza em heráldica a civilidade, honra, certeza, alegria, abundância. É a cor simbólica da esperança e a esperança é verde, porque alude aos campos verdejantes na primavera .

De conformidade com as regras heráldicas , a bandeira municipal tem as dimensões oficiais adotadas para a Bandeira Nacional, levando-se em consideração 14 módulos de altura da talha por 20 módulos de comprimento do retângulo.

O BRASÃO

O escudo sanítico entra na Heráldica Brasileira lembrando a raça latina.

A coroa mural que a  sobrepõe representa a comarca.É de prata e sintetiza os nobres sentimentos de seu povo. O escudete lembra o nome de Conselheiro Lafayette, agraciado pelo saber e pelas comendas das ordens de Grã Cruz de Cristo e da Rosa.

A cor vermelha ressalta o amor e o valor de sua gente. O terrado da sinopse, em aspecto montanhoso, é verde e circundado pelo arroz e pelo milho, suas riquezas agrícolas, sustentados pelas engrenagens dos malhos da indústria extrativa, fator principal de seu progresso. Finalmente, o nome da cidade de “Conselheiro Lafaiete” que ostenta as datas de  1790 e 1866, referindo-se aquela(1790) à criação da Vila (município) de Queluz, e esta (1866) à denominação de cidade.

 

TEXTO- ACADÊMICO  WILSON BAÊTA DE ASSIS- Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.

MONTAGEM- MARIA DO CARMO BATISTA FERREIRA COSTA-Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e Colunista do Jornal Tribuna Livre.

 

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