O Alto Paraopeba, atrai investimentos e ganha destaque na exploração do minério de ferro; fonte de riquezas da região, lembrando que é a principal commodity como fonte de exportação do país, mas pode transformar-se em desenvolvimento local, se não for industrializado na região.
Agregar valores e transformar nossa região numa das mais desenvolvidas economicamente, deveria ser uma prioridade governamental, que não deveria ser mais postergada, pois sabemos que o minério é uma riqueza finita, que em uma geração, poderá acabar em nossa região. Fazer com que boa parte desse minério seja transformado em aço, agregar maior valor, que será usado em produtos como automóveis, geladeiras, peças para aviões e muitos outros produtos.
Fazer como outras nações como Japão, Coréia do Sul e Alemanha que possuem pouquíssima matéria prima, mas que importam a matéria prima e beneficiam esse minério, agregando valor e exportando para o mundo, aço, produzido com o minério de ferro do Brasil.
É preciso ter consciência, e fazer deste ciclo, uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável, para que não fique aqui na nossa região apenas as mazelas e impactos ambientais terríveis resultados dessa atividade mineradora.
Temos riqueza, vamos explorá-la e utiliza-la para promover a industrialização do Alto Paraopeba. Hoje a indústria chinesa abastece praticamente todo o mundo com produtos para todas as necessidades humanas. A China é o país que mais cresce no mundo porque baseia o seu desenvolvimento na exportação de produtos industrializados e não em matéria prima.
Não é possível que o Brasil não aprenda essa lição de desenvolvimento. As lideranças políticas têm que entender esse modelo, e atuarem com firmeza para mudarem o perfil econômico de Minas Gerais que tem hoje 70% de sua economia baseada em exportação de commodities como matéria prima (minério de ferro), soja, milho, café, carne bovina, etc.
Vamos seguir o exemplo de cidades como Ipatinga, João Monlevade e Timóteo que se destacam no Vale do Aço pela sua vocação industrial. Empresas como Usiminas, Acelor – Mital, Acesita, são as responsáveis pelo milagre do desenvolvimento econômico dessa região do leste de Minas. Ipatinga, município jovem com cerca de 47 anos de criação, conta hoje um grande desenvolvimento , saúde de qualidade e educação que é destaque nacional. O minério chega lá e é transformado em aço.
Também não podemos deixar de citar o mau exemplo da cidade de nosso poeta Carlos Drummond de Andrade, Itabira, apesar de ser detentora de uma das maiores minas de minério de ferro do mundo, não possui o desenvolvimento alcançado por Ipatinga. Em Itabira, a mineradora Vale extrai o minério e transporta via ferrovia para o porto de Vitória, Espírito Santo e o exporta para o mundo, ganhando muito dinheiro e deixando crateras terríveis, danos ambientais tenebrosos e destruição de suas montanhas. Definitivamente o modelo de exploração de minério de ferro de Itabira não interessa ao Alto Paraopeba.
Nas cidades de Ipatinga e Timóteo, há valor agregado ao minério de ferro. Eles, transformam o minério em aço em utensílios de aço, exportando produtos de alto valor agregado, ou seja, geram empregos de qualidade para a população local e impostos para as cidades, para Minas e o país. As lideranças políticas inovadoras, empresariais e o estado de Minas deveriam incentivar este modelo de transformação de nosso minério de ferro, em aço, em benefício e qualidade de vida para os habitantes de todo o Alto Paraopeba.
Trazer investimentos para a região do Alto Paraopeba, trazer novos empreendimentos fabris para cá, deveria constar no manual de todo político interessado no desenvolvimento da região. Criar projetos para transformar esse minério em produtos de alto valor agregado como perfis metálicos, bobinas de aço, aço inoxidável, peças para indústria ferroviária e automobilística, já que a região está entre dois polos automobilísticos, Betim com a Fiat e Juiz de Fora com a Mercedes Benz.
Todos sabem que a exportação é desonerada de tributação e que a simples exploração de minério para exportação, gera pouco rendimento fiscal para o estado brasileiro, agrega pouco valor em arrecadação para os municípios detentores das minas. Deveríamos estar abertos para recebermos empresários e abrir a nossa economia para investimentos estrangeiros aqui na nossa região, mas no setores de agregar valores e beneficiar a transformação das matérias primas. Que tragam suas indústrias para cá. Não levem o nosso minério para serem industrializado longe daqui.
A exploração do nosso minério de ferro, não pode simplesmente ser transportado por minerodutos para levar daqui a nossa riqueza. Necessitamos exigir das autoridades governamentais um novo processo de industrialização do nosso minério de ferro, implantando na nossa região, um novo polo siderúrgico e no futuro não muito distante, transformar em um novo vale do aço, na região do Alto Paraopeba.
Que nossas famílias não precisem mais serem divididas, enviando seus filhos para irem trabalhar em outros locais e estados. Que nossas faculdades formem engenheiros e tecnólogos para trabalhar e morar na nossa região.
A opção agora é industrializar para que nossos filhos fiquem aqui. Somos sim a favor da exploração do minério, mas somos conscientes de que boa parte deste minério deverá ser beneficiado aqui em nossa região.
Queremos um novo desenvolvimento econômico. Chega de programas sociais paliativos que só iludem o nosso povo. Industrialização do minério de ferro já, para o bem da região e do Brasil.
Por Paulo Barbosa/Internauta.
