O debate em torno do projeto de lei sobre o tombamento da Serra Casa de Pedra, em Congonhas, se transformou num impasse para a expansão industrial das empresas CSN e Namisa. Ambas exploram minério de ferro no entorno da serra, que o projeto quer preservar.
Até mesmo a construção da usina siderúrgica, que foi anunciada pela CSN e motivou a desapropriação de várias áreas na região da Plataforma, zona rural da cidade, pelo Instituto Mineiro de Desenvolvimento Industrial (Indi), já está sendo repensada pela companhia.
Durante audiência pública realizada mês passado na Câmara Municipal de Congonhas, duas propostas estabelecendo limites para o tombamento da Serra Casa de Pedra foram discutidas: uma sugerida por iniciativa popular e outra pelas empresas CSN e Namisa.
Os moradores alegam que as mineradoras são contra o tombamento da serra, o que pode significar a morte de um dos principais cartões postais da cidade considerada patrimônio mundial por abrigar o conjunto das obras de Aleijadinho.
O diretor de mineração da CSN e diretor-presidente da Namisa, Daniel Santos, afirma que as empresas apoiam a ideia do tombamento de Casa de Pedra, mas não da forma apresentada pelo projeto de iniciativa popular.
Em matéria veiculada nesta terça-feira pela primeira edição do “Jornal Falado Carijós”, ele explicou que a divergência entre as duas propostas se refere ao ponto conhecido como Morro do Engenho: o projeto popular insere o morro na área a ser tombada enquanto as mineradoras pretendem, futuramente, obter o licenciamento para explorá-lo.
Os lucros obtidos com a mineração no Morro do Engenho, de acordo com Daniel Santos, financiariam a longo prazo o núcleo do projeto de industrialização do município de Congonhas, orçado em 12 bilhões de reais. Por outro lado, a eventual aprovação da proposta de iniciativa popular afetaria a primeira operação licenciada e em curso no Morro do Engenho, o que obrigaria a Namisa a repensar todo o plano de investimento.
O executivo reclamou que, durante a audiência, foi proposto um projeto de lei diferente e bem mais severo do que a proposta que vinha sendo discutida até então, o que demanda a realização de novos estudos sobre possíveis prejuízos à Namisa, empresa que depende do minério extraído do Morro do Engenho.
Santos assegurou ainda que o projeto de exploração oferece condições capazes de manter e melhorar de forma sustentável e sem impacto para a população, num trabalho conjunto com os órgãos competentes, o fornecimento e a qualidade da água que abastece o município.
Mito
O diretor classificou como mito a afirmação de que a Namisa estaria pretendendo bombear água do rio Maranhão para evitar o desabastecimento na cidade; de fato, segundo Santos, a Namisa avalia a captação de água do rio, mas somente para uso industrial.
